Esporte para o Desenvolvimento e a Paz na América Latina e no Caribe (Editorial)

· Volume 6, Issue 10
Authors

Daniel Parnell1, Alexander Cárdenas2,3, Paul Widdop4, Pedro-Pablo Cardoso-Castro4, Sibylle Lang5

1Manchester Metropolitan University, UK

2Plataforma Deporte para el Desarrollo y la Paz

3Open University of Catalonia, Spain

4Leeds Beckett University, UK

5Industrieanlagen-Betriebsgesellschaft.Einsteinstrasse, Germany

Corresponding author email: D.Parnell@mmu.ac.uk

Citation: Parnell, D, Cárdenas, A, Widdop, P, Cardoso-Castro, P, Lang, S. Sport for Development and Peace in Latin America and the Caribbean. Journal of Sport for Development. 2018; 6(10):1b-6b

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Portuguese translation by:
Fabiana Rodrigues de Sousa Mast, University of Basel
Bárbara Schausteck de Almeida, Centro Universitário Internacional – Uninter

INTRODUÇÃO

Esta edição da Revista de Esporte para o Desenvolvimento tem como objetivo apresentar a crescente literatura sobre “Esporte para o Desenvolvimento e a Paz” (EDP) na América Latina e no Caribe. Ela foi concebida durante pesquisas de campo em Medellín (Colômbia) nos anos de 2014 e 2015 pelos editores desta edição especial. Essas pesquisas envolveram trabalhos com departamentos governamentais, acadêmicos e grupos comunitários com o intuito de examinar o papel do esporte e do futebol e seus diferentes impactos sociais. Nosso período em Medellín nos permitiu ver o EDP como um esforço comunitário coletivo e uma genuína abordagem colaborativa do governo e das universidades locais.

ESPERANÇA, INOVAÇÃO E REGENERAÇÃO EM MEDELLÍN
Medellín é conhecida por seu sistema de teleféricos, que viabiliza a interconectividade dos moradores, ligando as comunidades localizadas nas encostas dos morros ao metrô e ao centro da cidade. O futebol também tem sido uma parte fundamental da história de Medellín. Dois dos nomes mais famosos associados ao futebol em Medellín são os dos Escobares, Pablo, o chefão do cartel de drogas, que mantinha uma relação próxima com jogadores profissionais e internacionais de futebol da Colômbia, e Andrés, o jogador colombiano da Copa do Mundo de 1994 que foi tragicamente assassinado. No entanto, em nível comunitário, os campos de futebol tornaram-se recentemente uma nova intervenção urbana localizada no coração dos bairros em rápida mudança. Eles são parte das chamadas “Unidades de Vida,” que são estruturas coloridas e limpas construídas na encosta de um morro para as comunidades locais.

As “Unidades de Vida” compreendem muito mais do que apenas os campos de futebol e, na parte de baixo, existem mais andares com outras instalações. Nelas há, por exemplo, academias, creches, playgrounds, cinemas, laboratórios de informática, salas de aula, lojas comunitárias, estúdios de dança, estúdio de gravação para DJs, piscinas, espaços aquáticos, quadras de basquete e de futebol de salão. De uma forma específica, a “Unidade de Vida” é um espaço concebido pela comunidade local e que utiliza fundos disponibilizados pela autoridade local (conselho municipal). Isso permite que a comunidade possua e mantenha um espaço para socialização e engajamento em atividades culturais e atividades físicas e recreativas saudáveis. As “Unidades de Vida” também atendem às necessidades mais amplas de saúde, fornecendo instalações sanitárias de alta qualidade e fontes de água potável. Há também serviços de apoio médico, que incluem clínicos gerais e outros profissionais da área da saúde, e de apoio social. É importante ressaltar que o acesso a todas as instalações e serviços fornecidos em uma “Unidade de Vida” é gratuito para todos os membros da comunidade local.

Em resumo, as “Unidades de Vida” representam uma genuína intervenção do EDP, onde a infra-estrutura esportiva foi priorizada e construída como uma base para se alcançar outras necessidades mais específicas da comunidade. Nossas experiências nessas instalações estimularam a discussão entre a equipe editorial sobre as origens do EDP na Colômbia. Também nos levou a refletir sobre o papel do esporte na história de conflitos do país e a subsequente fase de pós-conflito.

ESPORTE NA COLÔMBIA PÓS-CONFLITO
Em 2012, conversas iniciais entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) começaram em Cuba. O objetivo era encontrar uma solução política para um conflito interno que já durava mais de 50 anos, deslocou mais de 5 milhões de pessoas e retirou cerca de 220.000 vidas.1 Em novembro de 2016, um acordo de paz foi finalmente ratificado pelo Congresso. No entanto, os esforços para construir a paz não se limitaram a encontrar uma solução política para o conflito. Um movimento dinâmico de paz, amplamente associado à sociedade civil, mobilizou diferentes setores da população colombiana para agir em favor da paz por meio de diversas iniciativas e programas. Inclui-se nestas ações atividades culturais, artísticas e especialmente esportivas, que, apesar de serem reconhecidas como ações modestas, são também vistas como importantes catalisadores sociais para uma transição bem sucedida para uma era pós-conflito mais pacífica.2

Há várias vantagens em se usar o esporte para o desenvolvimento social numa era de pós-conflito na Colômbia. Em primeiro lugar, o esporte é uma atividade muito popular em todo o país. Por exemplo, 94% dos colombianos declararam se interessar por futebol durante a Copa do Mundo de 2014, sendo este o nível mais alto dentre os 19 países que participaram de uma pesquisa.3 É importante destacar que tal interesse não está apenas relacionado ao futebol, já que existem evidências de que o ciclismo, o atletismo e o levantamento de peso estão atraindo cada vez mais participantes estimulados pelo desempenho das equipes colombianas nos campeonatos mundiais. Em segundo lugar, o esporte tem sido usado há mais de 20 anos na Colômbia como veículo para combater a violência em comunidades afetadas por conflitos violentos. Existem numerosas organizações que já estabeleceram um legado para o EDP em toda a Colômbia.4 Recentemente, o esporte foi reconhecido pelo governo nacional como uma estratégia transversal para abordar as principais prioridades da população, como saúde, proteção da criança e adolescente, educação e inclusão social. Especificamente, o papel social do esporte foi identificado em documentos fundamentais: Plano Decenal para o Esporte (2009-2019)5; Relatório Presidencial para o Congresso (2011)6; Visão para a Colômbia, Segundo Centenário: 20197; e Plano Decenal para o Futebol ( 2014-2024).8

No entanto, é importante reconhecer as limitações do esporte como um fator de mudança social. Em primeiro lugar, o potencial do esporte é limitado pela infraestrutura disponível para o seu desenvolvimento. Com algumas exceções, incluindo as “Unidades de Vida” em Medellín descritas acima, existem poucas instalações públicas de esportes disponíveis em grande parte da Colômbia e as existentes são muitas vezes mal conservadas, que acabam se tornando locais de comportamentos ilegais. Em segundo lugar, a violência e a agressão associadas ao vandalismo nos jogos de futebol criam um estigma negativo, que afasta algumas pessoas do esporte. Em terceiro lugar, os programas esportivos isoladamente não podem mudar a causa raiz da violência ou abordar de forma sustentável as fontes de desigualdade, mas precisam estar inseridos em estratégias de desenvolvimento mais amplas, o que nem sempre é o caso.9 Por fim, há atualmente uma compreensão limitada dos aspectos críticos, processos e mecanismos que permitam que os programas esportivos tenham impacto real sobre o desenvolvimento social em contextos pós-conflito da Colômbia.10

Quando a Colômbia entrou em uma fase de pós-conflito, propusemos várias recomendações para otimizar os recursos investidos nas iniciativas de EDP. De uma forma mais geral, o Estado desempenha um papel fundamental na reforma política e no desenvolvimento de políticas que incorpore o esporte nos esquemas de desenvolvimento nacional.11 Embora o governo colombiano reconheça o papel social do esporte, isso ainda precisa se tornar uma política concreta. Sugerimos que a política seja baseada nas experiências de Organizações Não-Governamentais (ONGs) que ofereceram atividades de EDP na Colômbia durante décadas de conflito e que podem fornecer um elo entre o governo e a sociedade civil durante a fase pós-conflito.12 No entanto, serão necessárias informações adicionais de novos agentes com conhecimentos em questões específicas dos contextos pós-conflito, como por exemplo, reintegração de ex-combatentes, reabilitação física / mental e crescimento econômico. Desta forma, sugerimos envolver outras ONGs, governos estrangeiros, agências internacionais e partes do setor privado com experiências anteriores relevantes. A otimização do impacto de atividades esportivas na sociedade colombiana também exige que as federações esportivas nacionais e o Comitê Olímpico Nacional promovam atividades de “esporte para todos”, em vez de se concentrarem apenas no esporte competitivo e de alto desempenho. Finalmente, as instituições acadêmicas têm um papel emergente a desempenhar na identificação dos principais processos do programa EDP através de monitoramento e avaliação rigorosos, além de comunicar como todas as partes interessadas podem incorporar esses mecanismos e a teoria existente no desenho e implementação de futuras iniciativas.13 É importante ressaltar que os acadêmicos também têm muito a aprender com as outras partes interessadas e a integração entre diferentes setores proporcionará oportunidades de aprendizado crítico e otimizará os resultados do EDP na Colômbia.14

A EDIÇÃO ESPECIAL

Os editores têm o prazer de ter colaborado com os autores desta edição especial, que abraçaram a oportunidade de compartilhar pesquisas empíricas e aplicadas em vários tópicos, países, esportes e métodos. Isso proporcionou uma visão empolgante e variada do EDP na América Latina e no Caribe.

Gadais, Webb e Rodriquez15 examinaram o uso da análise de relatórios como uma ferramenta de pesquisa do EDP no caso do programa esportivo El Salvador Olimpica Municipal. O artigo descreve o valor de analisar o conteúdo de um relatório de uma agência que oferece EDP (atividade ou anual), especialmente quando não se é oportuno, prático ou viável acessar diretamente os programas no local. Com base no modelo Actual de Greimas16 e no modelo EDP de Snakes and Ladders,17 é proposto um método de análise semiótica especificamente adaptado para projetos de EDP. Sugere-se que essa análise de conceitos que teoricamente ajudam ou atrapalham os projetos do EDP é trazida à tona e serve como um ponto de partida inicial ao analisar os relatórios. Ao aplicar essa abordagem a um relatório específico de um projeto de EDP (estudo de caso), este documento demonstra que informações valiosas sobre prioridades e práticas de gerenciamento podem ser obtidas, quando a ferramenta de pesquisa proposta é aplicada de forma sistemática e rigorosa.

Hills, Velásquez e Walker18 contribuíram com o artigo, “O Esporte como uma Analogia para Ensinar Habilidades para a Vida e Redefinir os Valores Morais: Um Estudo de Caso do Programa Esporte para o Desenvolvimento e a Paz “Semente da Paz” em Medellín (Colômbia).” Esse artigo explora como o esporte tem sido usado para lidar com o legado de uma cultura ilegal e violenta que surgiu quando Medellín foi atormentada pelo tráfico de drogas e recebeu a denominação de a capital mundial do assassinato há mais de 25 anos. Este contexto histórico erodiu os sistemas de valores e deixou as crianças economicamente desprevilegiadas mais vulneráveis às atividades criminosas. Para começar a abordar esse problema social, a Fundação Conconcreto aproveitou a paixão da Colômbia pelo futebol em seu programa EDP “Semente da Paz.” Um estudo de caso foi usado para ilustrar como o programa “Semente de Paz” usa o futebol como uma analogia para ensinar habilidades para a vida e redefinir valores morais. Isso aumenta a compreensão teórica limitada de como o esporte funciona na mudança social e ainda viabiliza os praticantes do EDP com um mecanismo esportivo não discutido anteriormente na literatura.

Zipp e Nauright19 produziram o artigo “Nivelando o Campo de Ação: Abordagem da Capacidade Humana e Realidades Vividas no Esporte e nas Questões de Gênero no Caribe.” Este artigo oferece uma nova visão na área de esporte, desenvolvimento e questões de gênero. A maioria das pesquisas anteriores neste campo se concentraram em como as meninas e mulheres têm acesso e experimentam a participação esportiva e, consequentemente, a participação esportiva das meninas é frequentemente descrita como uma forma de empoderamento, incluindo um mecanismo que contribui para melhorar as habilidades para a vida. No entanto, poucas pesquisas já realizadas incluem a resposta dos meninos à participação das meninas no esporte. Este estudo explora a experiência de meninos e meninas para entender melhor as atitudes do papel de gênero no EDP no Caribe Oriental.

Wright, Jacobs, Howell e Ressler20 exploraram os resultados imediatos de um programa educacional proporcionado a 33 jovens treinadores que atuavam em programas de EDP e sua subsequente implementação no primeiro ano de um projeto em Belize. Embora os programas EDP existam em todo o mundo, há uma lacuna na literatura no que diz respeito a uma descrição e avaliação de programas de EDP que tiveram sucesso na América Latina e no Caribe. A “Colizão Beliziana de Esporte para Juventude” foi um projeto de intercâmbio de treinamento em dois sentidos, que durou três anos e teve como objetivo promover o desenvolvimento positivo da juventude e a mudança social por meio do esporte. Múltiplas fontes de dados indicam que o programa de educação foi eficaz em termos de participantes: (1) satisfação com o treinamento, (2) conhecimento de conteúdo, (3) atitudes e crenças e (4) capacidade de implementar os conteúdos do programa educacional. Este estudo contribui para a literatura de EDP, destacando a importante relação entre a formação dos treinadores e a implementação do programa de EDP.

Oxford21 explora as complexidades sociais, culturais e históricas que moldam e limitam o espaço (as diferenças referentes às participações de acordo com gêneros) em uma organização EDP na Colômbia. Uma pesquisa recente sobre o papel do “espaço seguro” dentro do EDP mostra que a inclusão social de mulheres jovens em espaços esportivos tradicionalmente masculinos pode mudar consideravelmente quem pode ter acesso e circular confortavelmente pelos espaços públicos.15 Baseando-se em seis meses de pesquisa etnográfica realizada em duas organizações colombianas de EDP, localizadas em dois bairros de vulnerabilidade social, o espaço seguro é enquadrado como uma construção social e um processo dinâmico. Enquanto a capacidade da organização do programa de EDP de se adaptar à mudança e renunciar ao controle torna esta atividade acessível à comunidade local, o posicionamento da organização e dos participantes simultaneamente permitem a continuação de um espaço acessível a ambos gêneros. Estes dados são analisados através da interpretação multidimensional de espaços seguros de Spaaij e Schulenkorf.15 Através deste estudo, conclui-se que pesquisas adicionais sobre as barreiras físicas e psicossociais que limitam as mulheres a participar de programas de EDP são necessárias.

Baker, Atwater e Esherick22 exploraram a diplomacia esportiva dos Estados Unidos (EUA) na América Latina e no Caribe. O foco deste estudo é um programa de EDP específico, intitulado “Visitantes do Esporte”, executado em parceria entre a Universidade George Mason e o Departamento de Estado dos EUA. O propósito desta avaliação do programa de EDP era examinar um subconjunto de grupos latino-americanos e caribenhos e verificar o impacto de curto prazo de um programa focado na mudança de atitudes dos participantes. O estudo foi realizado ao longo de um período de 5 anos e aplicou uma abordagem de métodos mistos de coleta de dados de pesquisas quantitativas, complementada por comentários qualitativos fornecidos pelos participantes. Os resultados indicam que: a) uma mudança positiva ocorreu entre os participantes em todos os objetivos medidos, e b) as mudanças foram consistentemente refletidas para cada tipo de grupo participante da América Latina e do Caribe e baseado em diferenças de gênero, papel de acordo com o gênero e quando diferentes gêneros desempenhavam determinados papéis.

CONSIDERAÇÕES FUTURAS

Dado o contexto social, econômico e político único da América Latina e do Caribe, pesquisas futuras são necessárias para examinar as iniciativas do EDP que abordam alguns dos desafios em curso no desenvolvimento da região, como violência, criminalidade, baixos níveis educacionais e altas taxas de desemprego. Além disso, como a América Latina é o lar de alguns dos mais notórios movimentos sociais, também vale a pena explorar a interação entre a mobilização de base e o esporte como resposta a preocupações sociais específicas. Também recomendamos o aumento da pesquisa avaliativa sobre os programas de EDP, bem como defendemos a importância de se criar uma comunidade de conhecimento que estimule esforços de colaboração entre instituições acadêmicas, organizações baseadas na comunidade, patrocinadores/doadores e a comunidade internacional. Finalmente, pesquisas futuras devem também olhar para experiências bem-sucedidas, lições e melhores práticas sobre o uso do esporte como um facilitador do desenvolvimento social na América Latina e no Caribe, que por sua vez pode informar a pesquisa e a prática global do EDP.

REFERENCES

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